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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A Bolacha Brahma

Abriu a mala no meio do apartamento em Sao Paulo. Cansada, com o coracao apertado. O apartamento de tres pecas nunca pareceu tao grande. Nunca se sentiu tao sozinha. Tirou o essencial para uso e deixou o resto na mala. O calor era sufocante e as saudades tambem. Ao revirar a mala achou uma bolacha, dessas qualquer, que eh usada como porta copos e jah nao estava mais em Sao Paulo.

Sentada num degrau de cimento na beira do lago, sentiu a brisa da noite, viu as luzes brilhando do outro lado do rio, sob o ceu sem fim escuro da cidade. O copo de cerveja pesou na mao e ela o deixou ao lado. Aproveitou as maos vazias para limpar as lagrimas. Respirou fundo.

- Quer falar?

Sorriu ainda com as lagrimas, feliz por quem estava ao seu lado. Sua amiga, sua prima, sua irma que por muito tempo esteve perto, mas que agora estava longe. Ela que era uma das pessoas que tinha certeza que gostava incondicionalmente. Ela que sempre esteve a frente de todos, que sempre foi forte. E que agora eh mae de familia. E mesmo assim, estava lah.

Entao contou o que afligia. Recontou a historia de onde tinha deixado a ultima vez e, agora, o desfecho. Contou que sabia que nao podia ser diferente, mas que chorava pela saudades do que terminou. Das saudades que jah sentia do que se acabava. Mas que as lagrimas nao eram para nada mais alem do que isso. Respondeu dizendo que a entendia e que tinha que ser forte e que alguma decisao tinha que tomar. E que tinha que olhar para algum ponto em sim propria e prometer para si mesma que a decisao estava tomada. Conversaram mais um tanto, levantaram, pegaram as suas cervejas e as bolachas e foram embora.

Mal ela tinha percebido que a bolacha foi parar na sua bolsa. E que agora ela jah estava de volta a Sao Paulo, no calor e sozinha. E que a bolacha estava ali. E que a saudade tambem estava ali. Mas nao era do que acabou, e sim, do momento que passou a beira do Lago Paranua.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Still walking in the air, and still feels good.
And still is pretty scary.
And it will still end up very well!!

Feliz. E ponto!


Ha vezes que ficamos tao felizes que acabamos ficando inertes. Choramos sozinhas, ligamos para aqueles que confiamos de verdade: mae, irmas, irmaos, aqueles que sabemos que realmente ficarao felizes com a gente. Olhamos o mundo e as coisas sob uma nova perspectiva, assim como tambem o nosso futuro. As cores ficam diferente, o ar fica diferente, a cidade muda e ateh a sua casa muda sem mesmo ter mudado um centimetro.
- E como voce esta?
- Feliz.
Nao ha palavra que melhor descreva a sensacao, por maior que ela seja. Feliz, muito feliz!!!

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Despedida!

Tivemos uma longa vida, sem mesmo ter tido uma chance.
O momento da despedida jah passou ha muito tempo ao mesmo tempo que jah aconteceu varias vezes. E agora nos despedimos novamente. Desta vez para sempre. Talvez nao saibas disso, mas eu sei. Sentirei saudades, sentirei muitas saudades. Do que passou, do que jah fomos, mas principalmente, daquilo que poderiamos ser. Talvez faca falta, mas jah nem tanta quanto um dia jah fez. Jah nao somos as mesmas pessoas.
Entao boa sorte, mas talvez voce nem saiba que um dia eu te desejei isso!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Descontrole

- Voce me esperou??? Puxa, uma pena que tenho que correr...
- Nao te vi por aqui no final de semana.
- Eu vim sabado
- E eu, domingo.
(pausa e silencio)
(serah que o desencontro foi coincidencia ou um sinal?)
- Eu tenho que ir pro outro.
- E eu preciso de mao para atravessar a rua, me falaram para sempre dar a mao para alguem na hora de atravessar.
(ela sorriu envergonhada e nao olhou para ele, ele sorriu vitorioso, foi a primeira vez dela)
Deram as maos, atravessaram a rua sem dizer nada. Soh sorrindo. Ela deixou ele a puxar.
- Tudo bem hoje?
- Nada de anormal.
Sorriu. Ele sorriu.
Ela o beijou no rosto rapido antes que ele dissesse qualquer coisa:
- Bom plantao, nao se atrase, se cuida.
Ele sorriu de volta feliz por nao ter que se justificar, segurou a sua mao um segundo a mais sorriu, retribuiu o beijo e foi. Olhou duas vezes para tras. Ou tres.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

From miles away

E por que temos varios amores ( e por que nao?), tenho um, de longe, que quando sente minha falta manda uma mensagem com uma palavra:
Smile

Eh automatico!

Jantar de meio de semana.

Noite de meio de semana. Ainda calor, noite boa, brisa agradavel. Depois de algumas cervejas decidiram pedir uma pizza. A conversa fluia. Notou o bom momento quando ao som de uma boa MPB de uma boa radio paulistana colocava a mesa para jantarem. A luz baixa do abajur, a temperatura agradavel, a boa companhia fez que na hora de colocar os pratos na mesa, desse o click do bom momento a ser lembrado. O momento fora de si durou poucos segundos ateh que ele chegou com a pizza e guardanapos. Sentou-se mais feliz do que estava antes.

Gostava de noites badaladas com saltos bem altos, vestidos e amigas, gostava de correr de aeroporto para aeroporto ora com passaporte ora somente com a identidade na mao. Amava suas viagens pelo mundo. Mas aquele momento parecia que tinha o mesmo gosto de todas as outras coisas que tambem amava. Pequenos bons momentos do cotidiano. Com boa musica, boa iluminacao, excelente companhia.

Ha lugar para tudo na vida.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Paixoes

Palmas para ele, que largou o Citibank para fazer cinema e ensinar cinema.

Priceless.

Tudo vai dar certo.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Conto de um fim de dia

Deitada na cama num final de tarde de domingo. Sono ainda pos prandial tarde, de um almoco com uma amiga. Ainda vestia o vestido branco de lacinho. Deixou as janelas abertas para o vento passar. Dormiu um pouco. Acordou com o barulho do celular: havia uma mensagem enviada. Olhou o horario: jah eram quase oito da noite. Sorriu quando viu o remetente: " Se estiveres em casa, apareca agora na sacada."
Levantou correndo, enrolou o cabelo e foi para a sacada. Lah estava ele, sorridente, feliz, do outro lado da rua. Acenava. Ela abanou. Outra mensagem chegando ... "Queria soh te ver. Tenho que ir para o outro. Fiquei com saudades." Sorriu ainda olhando para o celular e depois olhou para ele. Nao viu o verde dos olhos, mas viu o brilho do sorriso. Ele sorriu mais um pouco e comecou a descer a rua. Ela encostou-se na parede e contiunuou a segui-lo com o olhar enquanto ele descia. Alguns minuto e alguns metros mais abaixo ele virou e deu de cara com ela olhando. Sorriu e abanou novamente e continuou a caminhada.

Bateu um vento, ela suspirou e sorriu. Olhou para o ceu, que nao tinha nada de incomum. Sentiu-se mais leve e entrou em casa sorrindo. Nao houve uma declaracao de amor, como em Shakespeare. Foi real, sem fantasia.

O celular tocou de novo, mas desta vez jah nao era mais ele. Passou.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Once

Uma historia depende de uma chance.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

A historia

Talvez nao tenhamos sido a pessoa certa na hora errada.
Talvez tenhamos preenchido a lacuna existente entre duas boas historias de amor.
Talvez tenhamos realmente sido a pessoa certa, na hora certa. Talvez a historia tenha tido o seu principio, meio e fim. E deixamos um ao outro para tras com a certeza de que nos deixamos felizes. Pelo tempo que tinha que ser. Com um gostinho de quero mais.

"Take your sinking boat and make your way home!"

Ou talvez eu esteja completamente errada.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Cartas ...

As vezes cartas de despedidas sao, na verdade, cartas de amor disfarcadas.
E se tocar "voce nao me ensinou a te esquecer" na hora de apertar o send?
Quando saber quando insistir ou quando desistir?
Leva acucar no final?

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Trinta

Terca feira fim do dia. Sol se pondo, ventinho batendo, e a boa situacao de ter duas amigas, ou novas amigas, conversando, bem vestidas, bebendo champagne ao sol se por. Gabando-se por ter trinta, estar fazendo trinta e a perspectiva de fazer trinta. Fazer trinta anos sempre gera essa polemica, essa discussao constante se vale a pena ou nao. Colocamos os demonios para fora. Planos que fizemos ha uma longa data de como estariamos com trinta anos que nao foram realizados, ainda bem. Realidade que nunca imaginamos presenciar com esta idade. Um sensacao de alivio por ter passado pela adolescencia e pelos vinte e poucos e vinte e tantos anos. Mais maduras, mais experientes mais seguras de si. Tres mulheres, tres caminhos diferentes, tres profissionais diferentes, tres estilos diferentes. Cabelos diferentes, roupas diferentes, ideias diferentes. Em comum? Cabelos ao vento, longos, curtos, cacheados, alisados, ondulados. Em comum? Sorriso no rosto pes no chao. Mais em comum? Um copo de champagne no rosto, mais sorriso antes de beber e a expectativa de seus outros amigos chegar que tambem em comum tem trinta ou mais de trinta.

E que veha os trinta e um!

Maos em dia de sol

- O que foi desta vez?
- Nada demais, eu soh cahi!
- Como assim, voce caiu? Tah tudo bem? Machucou?
- O joelho, ralou um pouco. Na verdade foi engracado, dei praticamente um salto triplo antes de me estatelar no chao!
- Sei .... cuidado! Olha ahi! Cuida o degrau ... ai meu Deus! Agarrou a minha mao forte antes que acontecesse outro tombo. Desta vez nao chovia. Foi estranho, mas bom.
- Um paciente me chamou, uma intercorrencia, sabe? Sahi correndo. Ainda chamei um auxiliar para me ajudar. Foi ele colocar a cabeca para fora do quarto que eu tombei. Ele viu tudo e se segurou para nao rir.
Os olhos verdes ficaram pequenos enquanto apertava o senho, os labios se apertaram tambem e ele nao disse nada. Continuou segurando a sua mao.
- O que foi? Pode falar.
- Nada, falou serio.
- Eu nao vou levar a mal, fala , vai. Ou melhor, pode rir.
Ele riu e pediu desculpas: " Eh que eu acho que a cena deve ter sido engracada. Estou tentando te imaginar com o seu uniforme se estatelando.2
- Pode rir, eu deixo, vai. Eu mesma ri depois.
- Eh, mas agora nao vai ter como cair. Fez questao de levantar a mao que segurava firme e segurou mais forte. E nao estava nem chovendo.