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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Castelo de Cristal.

Construiu um castelinho de cristal em frente a ela. Peca por peca. Aprendia o que ela gostava e colocava, pouco a pouco, um pedacinho por vez, da maneira que ela gostava de ver. Ela, tao absorta com o brilho e, em algumas vezes ateh com o reflexo da propria imagem, ignorava seu instinto que gritava que o castelo era de cristal. Dia apos dia, estava sempre a um segundo de se estracalhar, a qualquer movimento mais intenso. A qualquer queda muito brusca.
Com o passar do tempo o castelo nao brilhava mais como era antes. Parecia um pouco sujo demais. Nao sabia se era soh impressao sua, talvez seus olhos eh que estivessem sujos. Se afastou um pouco e viu nao soh sujeira mas varias rachaduras e, acima de tudo, viu que antes dele estar completo, nao havia ninguem mais construindo. Ao chegar novamente mais perto, viu que nao era cristal, era vidro e o quebrou. Sabia que sentiria falta do brilho, da luz e do reflexo. Mas naquele momento nao era cristal o que precisava, nem vidro. Era mesmo tijolo e cimento. Com uma base solida e com alicerceres fortes. Deixou o que construia o castelo ir e ele se foi. Talvez construir outro castelo para outra pessoa. Talvez nao construir nada por algum tempo. Ela nao sabia, mas ela o deixou ir e ele se foi. Ela olhou os cacos no chao e nao quis juntar. Deixou ali para que o tempo desse conta do que sobrou e assim decidiu seguir sua vida.

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