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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Tchau, Mari

A festa nao estava terminando, mas para ela era como se jah estivesse no fim. Sentada, na primeira fila, esperava que ele ligasse. Sim, ele voltou e ela estava feliz por isso. Mas ali, dentro daquele teatro de Arena, agora escuro, onde dancaram ateh poucos minutos atras, pensava como cada uma daquelas pessoas fizeram diferenca da sua vida. Pensou que gostaria de se despedir de todos, mas sabia que nao daria tempo. Eram tantos. Pensou em um por um e no quanto tinha sorte por te-los na vida dela. E entao aconteceu: entre o espaco de duas apresentacoes o telefone tocou e ele a chamou para o lado de fora do teatro. Estava triste, mas nao ao mesmo tempo. Ele a esperava logo em frente. Levantou-se ainda no escuro, despediu-se de dois que estavam ao seu lado. Saiu correndo pela lateral do palco e viu do outro lado, com o microfone na mao, aquele que fez toda a diferenca na sua vida nos ultimos seis meses. Nao tinha como dizer adeus a ele.
Lembrou da primeira aula, ficou lah no fundo. Quase nao conversaram. Aos poucos ela foi chegando cada vez mais pra frente, fila a fila. Ateh que ficava a sua direita na primeira fila na aula. Era seu mestre na danca. Ensinou o caminho, mas ela tinha que descobrir por seus proprios pehs como chegaria lah. Pehs no inicio desengoncados para a danca de salao. Quadril inapropriado que se negava a movimentar no ritmo da musica. Tinha receio de tocar nas outras pessoas, mesmo que para dancar. Ele a pegou de jeito e a fez dancar. Foi duro, foi exigente e ela gostou, pois nao ficaria feliz com nada menos do que aquilo. Se esforcou mesmo abaixo de criticas e sem nenhum elogio nesses ultimos meses. E evolui.
A evolucao passou na sua cabeca em milesimos de segundo e a fez parar no final do palco para se despedir. Ficou parada ateh o momento que ele olhou para ela e ela soh abanou, um pouco timida de atravessar o palco para abraca-lo.
- Jah vai? Perguntou ao microfone para que todos ouvissem.
Ela acenou consentindo.
- Entao tah: Tchau, Mari!
Gritou do microfone em frente a plateia. Ouviu algumas despedidas isoladas que nao sabia exatamente de quem era, dizendo a mesma frase. Se despedindo. Ouviu um de um lado, outro do outro. De repente duas ou mais poucas vozes se uniram e se despediram. Ela procurou, queria ver, mas nao enxergava. Quando estava desistindo de pocurar ouviu a plateia inteira gritar:
-TCHAU, MARI!

E entao foi isso, o desfecho que ela nao imaginava. Sozinha, quase no meio do palco, acenou para todos aqueles que imaginava estar lah mas nao via. Foi melhor assim, pois na sua cabeca todos estavam lah. E mais uma vez, aquele mesmo homem que a proporcionou estar dancando, a concedeu outro momento inesquecivel.

Deu as costas e saiu correndo. Mais feliz do que triste: seu mestre ficou para tras mas aquele que a deixava feliz estava logo ali em frente, dentro do carro esperando por ela.

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