Tarde cinza de verao. Cidade vazia. Silencio em Sao Paulo. Daqueles que precedem o temporal, mas que tambem refletem a cidade sem mais da metade dos habitantes. Tomava champagne nos fundos da casa, na porta da cozinha que dava fundo para o patio onde estavam os dois cachorros. Sentada num banco, colocou os pehs pra cima, apoiados na porta e olhou o contraste da madeira antiga, com as unhas vermelhas e o champagne no copo que acabara de dar para ele.
Ele estava no balcao da cozinha, de costas para ela, preparando a sobremesa, a qual ela nao poderia olhar, pois seria uma surpresa. Pensou que gostava de olhar para ele, sempre gostou, desde o momento em que tudo comecou.
Voltou a olhar para rua e ficou ali, feliz da vida, no silencio, esperando a chuva. Sem pressa, sem tensoes, sem se preocupar com nada. Absolutamente, nada.

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