Conversavam a milhas de distancias pelo telefone. Tarde da noite. Ela contou do seu dia no hospital. Ele contava do evento qual participava. Ela fez um comentario por brincadeira, se referindo a uma voz feminina que ouvia do outro lado da linha. Longe dela, mas perto dele:
- ... voce pode acreditar que a Mari tah com ciumes de voce?
- Ciumes? Que ciumes? Diga pra ela que eu sou uma coroa... mas perahi: quem eh Mari?
Expectativa do lado de ca. Um breve silencio do outro lado. Os segundos pareciam horas.
- A Mari eh a minha namorada!
- Ah... Mari, relaxa. Eu sou coroa demais pra ele...
Ela ainda sorria sozinha do outro lado. Ele finalmente falou com todas as letras o que ela jah sabia. Mas mesmo assim, ainda era muito bom de ouvir.
- Tah bem, tah bem. Nao to mais com ciumes. Fica bem e dorme bem.
Nao precisava ouvir mais nada. Sabia que o prosseco que comprara "por algum motivo" naquela noite, nao fora em vao.
sábado, 30 de janeiro de 2010
keeping on walking.
Eh incrivel como podemos vivenciar das situacoes completamente opostas ao mesmo tempo. Enquanto num quarto a gente tenta levantar uma pessoa para que ela toque a vida em frente no outro, fazemos de todo o possivel para que outra pessoa tenha uma boa partida.
"- E nao esqueca de trazer essas asas douradas que estao bem ahi, atras de voce, enfermeira, todos os dias." Disse um terceiro paciente ao final de uma visita enquanto terminava uma anotacao. Olhei para ele logo depois disso e nao consegui dizer mais nada.
Sahi do quarto, encostei na parede do corredor e por alguns segundos pensei no meu papel no meio de todas aquelas pessoas.
"- E nao esqueca de trazer essas asas douradas que estao bem ahi, atras de voce, enfermeira, todos os dias." Disse um terceiro paciente ao final de uma visita enquanto terminava uma anotacao. Olhei para ele logo depois disso e nao consegui dizer mais nada.
Sahi do quarto, encostei na parede do corredor e por alguns segundos pensei no meu papel no meio de todas aquelas pessoas.
The warning.
A receita.
Nem adianta apressar. As historias vao para o papel na hora que elas querem.
Alem da boa historia, precisa-se de um pouco de tempo para ela amadurecer. Paciencia para ela se encaixar. E um pouco de solidao para perceber que ela jah estah pronta.
Alem da boa historia, precisa-se de um pouco de tempo para ela amadurecer. Paciencia para ela se encaixar. E um pouco de solidao para perceber que ela jah estah pronta.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Trying.
E o adeus foi um dos piores que teve. Nao esperava isso. Sugeriu que se falassem por email e nunca mais deu sinal de vida. Talvez fosse melhor assim, afinal, muitas foram as tentativas sem sucesso de colocar um ponto final na historia. Mas nao podia evitar o sentimendo de decepcao.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Standing up.
Continuava andando no calor da noite. Mas agora era outra noite. Sentia-se mais leve apesar do calor. Nem o vento que batia no seu vestido verde claro aliviava. Sentia-se tambem aliviada. Tudo nao passou de um mal entendido que ela mesma criara para si. Sentia-se segura novamente. Tinha levantado do tombo que ela mesma tinha causado.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Primeiro desvio.
E de repente bate aquele aperto no peito. Andando a noite, na rua, sentindo calor, mesmo sentindo calor se sentiu sozinha. Estava tao feliz que poderia sentir que um dia aquilo tudo poderia terminar. Nao entendia porque sentia aquilo, mas sabia quando comecou a sentir. Foi na noite anterior, alguma coisa desandou. Sentiu-se sozinha o dia inteiro. Continuou a caminhada e tocou a bola pra frente. Passaria por mais essa tambem e as coisas voltariam a ter o brilho diario.
(assim esperava)
(assim esperava)
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
A cor.
- Tem certeza que eu posso ir?
- Claro que tenho, senao nao teria te chamado.
- Mas ela falou especificamente para me convidar?
Discutiam isso enquanto caminhavam pela movimentada Paulista. Cinzenta. Fim de tarde. Ela jah estava cansada do trabalho, mas nao perdia o foco. Sabia o quanto ele relutava por algumas palavras.
- Sim, ela falou para convidar voce, disse seu nome quando eu disse seu nome a ela. Voce ... ou a pessoa com quem eu estou saindo, ou "o da vez", ou com quem quer que eu esteja e queira levar.
Nao precisava de nomes ou categorizacoes, nao dessa vez. Sabia o que estava acontecendo. Sabia o que eram um para o outro.
- Entao ela falou que poderia levar o seu boyfriend?
Ela parou depois de atravessarem a rua, uma das ruas, que cortava a Paulista. Ele finalmente dera nome aos bois. Ela sorriu para ele e ele, mais uma vez, sorriu para ela. Ela nao precisava daquilo, mas era muito bom ouvir. Ele a abracou, feliz. No meio da calcada cinzenta, todos os outros estavam em preto e branco. Soh os dois coloridos.
- Claro que tenho, senao nao teria te chamado.
- Mas ela falou especificamente para me convidar?
Discutiam isso enquanto caminhavam pela movimentada Paulista. Cinzenta. Fim de tarde. Ela jah estava cansada do trabalho, mas nao perdia o foco. Sabia o quanto ele relutava por algumas palavras.
- Sim, ela falou para convidar voce, disse seu nome quando eu disse seu nome a ela. Voce ... ou a pessoa com quem eu estou saindo, ou "o da vez", ou com quem quer que eu esteja e queira levar.
Nao precisava de nomes ou categorizacoes, nao dessa vez. Sabia o que estava acontecendo. Sabia o que eram um para o outro.
- Entao ela falou que poderia levar o seu boyfriend?
Ela parou depois de atravessarem a rua, uma das ruas, que cortava a Paulista. Ele finalmente dera nome aos bois. Ela sorriu para ele e ele, mais uma vez, sorriu para ela. Ela nao precisava daquilo, mas era muito bom ouvir. Ele a abracou, feliz. No meio da calcada cinzenta, todos os outros estavam em preto e branco. Soh os dois coloridos.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
In between.
Tarde cinza de verao. Cidade vazia. Silencio em Sao Paulo. Daqueles que precedem o temporal, mas que tambem refletem a cidade sem mais da metade dos habitantes. Tomava champagne nos fundos da casa, na porta da cozinha que dava fundo para o patio onde estavam os dois cachorros. Sentada num banco, colocou os pehs pra cima, apoiados na porta e olhou o contraste da madeira antiga, com as unhas vermelhas e o champagne no copo que acabara de dar para ele.
Ele estava no balcao da cozinha, de costas para ela, preparando a sobremesa, a qual ela nao poderia olhar, pois seria uma surpresa. Pensou que gostava de olhar para ele, sempre gostou, desde o momento em que tudo comecou.
Voltou a olhar para rua e ficou ali, feliz da vida, no silencio, esperando a chuva. Sem pressa, sem tensoes, sem se preocupar com nada. Absolutamente, nada.
Ele estava no balcao da cozinha, de costas para ela, preparando a sobremesa, a qual ela nao poderia olhar, pois seria uma surpresa. Pensou que gostava de olhar para ele, sempre gostou, desde o momento em que tudo comecou.
Voltou a olhar para rua e ficou ali, feliz da vida, no silencio, esperando a chuva. Sem pressa, sem tensoes, sem se preocupar com nada. Absolutamente, nada.
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